domingo, 23 de abril de 2017

Info's Abril 2017

Welcome To The End (Stormhammer)
(2017, Massacre Records)
Ao seu sexto álbum os Stormhammer resolveram chamar Welcome To The End, mas não sabemos se é premonitório em ralação à banda ou em relação a qualquer outro aspeto. Até porque o que aqui importa referir é toda a pujança musculada de um power metal intenso e consistente, bastas vezes preenchido com uma agressividade mais típica do thrash metal. O facto de se ter mantido a mesma formação desde o álbum antecedente, Echoes Of A Lost Paradise, conferiu mais estabilidade ao coletivo de Munique, que é bem visível nesta máquina de metal bem oleada e dilaceradora, capaz de produzir 12 novos temas agressivos, rápidos, pesados, intensos e com groove. (5.0/6)


Abject Tomorrow (The Vicious Head Society)
(2017, Independente)
The Vicious Head Society é o projeto criado pela mente do guitarrista irlandês Graham Keane, sendo que Abject Tomorrow surgiu como forma do músico se satisfazer a si próprio. E o percursor de tudo isso foi o diagnóstico de cancro da sua esposa. Criar música surgiu como um escape e daí até começar a contactar músicos que pudessem executar as suas ideias foi um pequeno passo. A maioria do álbum foi gravado no estúdio caseiro de Keane com os convidados (Wilmer Waarbroek, Derek Sherinan, Nahuel Ramos, Pat Byrne, Klemen Markelj, Kevin Talley e Nathan Pickering) a gravarem nos seus próprios estúdios. Musicalmente é um disco do mais puro prog metal e como muitas vezes acontece neste subgénero, é um álbum conceptual. Um prog metal que tem influências dos primórdios do rock progressivo como Yes, ELP, Rush ou Genesis até fortes influências de metal como Death, Meshuggah e Megadeth. (4.9/6)


Back For More (The Voodoo Fix)
(2017, Nashvillain Records)
Conhecidos como os primos mais funky dos Black Keys, os The Voodoo Fix têm em Back For More o seu mais recente trabalho, mantendo a sua explosiva mistura de rock, blues, funk e punk, sendo que o principal ponto de diferenciação para o seu trabalho anterior, In Deep, se prende com uma maior enfâse na vertente funk. Por isso, as aproximações aos Red Hot Chilli Peppers se tornem mais óbvias, mas também por isso Back For More apresenta trabalhos rítmicos mais intensos e até próximos da música negra. (4.7/6)


Blackbird (The Riven)
(2017, Independente)
Os The Riven são uma banda de heavy rock de Londres e a sua estreia – este EP de 5 temas - não poderia ter sido mais auspiciosa. São cinco temas que assentam na glória do hard rock dos anos 70, nomeadamente nomes como Grand Funk Railroad ou Deep Purple e que se aproxima do que atualmente fazem gente como Blues Pills, Pristine ou Graveyard. O seu som é cru, áspero, bem condimentado por um feeling soul, retro e profundamente orgânico. Intenso e feito com critério. Ansiamos pelo longa-duração. (5.5/6)


Big Wave (Felling Like A Million)
(2017, Master Twin Prod.)
Quatro anos depois da estreia Salvation, Big Wave é a nova proposta do quarteto Feeling Like A Million. Melodias com arranjos interessantes, riffs bem introduzidos e uma maciça parede sonora são algumas das principais características do coletivo que se mantém inalteradas. No entanto, em Big Wave, há uma maior enfase na criação de dinâmicas e melodias, tornando as canções mais profundas apresentando uma maior maturidade. (5.0/6)


Dead Of Night (Stormage)
(2017, Massacre Records)
Depois de terem lançados dois álbuns com boa aceitação, os Stormage também ultrapassam a prova de fogo do terceiro álbum, não propriamente com distinção, mas com um disco competente e equilibrado. A sua combinação de metal melódico tradicional com metal moderno traz algumas dinâmicas interessantes, mas também faz sobressair os pontos menos positivos, pelo menos, da segunda metade das influências. Ainda assim, energia, poder, groove, emoção e atitude estão presentes num disco de metal musculado e perfeitamente adaptado aos tempos atuais. (4.8/6)


II (We Buffalo)
(2017, Independente)
Começa a ser habitual (ou pelo menos a ser mais visível) a existência de duos no rock nacional. Neste caso, Ricardo Ferreira e Pedro Veiga formam os We Buffalo, projeto de Lisboa, que apresenta o seu novo disco simplesmente intitulado II. Desde logo se confirma que um número reduzido de elementos acarreta algum risco ao nível da elaboração estrutural, porque, de facto, e como em inúmeros outros exemplos, faltam os recursos humanos disponíveis para a prossecução de objetivos mais complexos e arrojados. Por isso, II é um conjunto de temas curtos, diretos e sujos, com alguma (mas reduzida) musicalidade a tocar o grunge, o garage e o stoner. Seguramente era isso que o duo pretendia fazer e eram esses os seus objetivos, mas com tanto bom lançamento nesta área exigia-se um pouco mais. (3.8/6)

Flash-Review: Second To None (Spitefuel)

Álbum: Second To None
Artista:  Spitefuel  
Edição: MDD Records   
Ano: 2017
Origem: Alemanha
Género: Heavy Rock
Classificação: 5.0/6
Breve descrição: Da pesada Purified até à melodiosa headbanger de Devil’s Darling ou By My Hand, da mid-tempo Whorehouse Symphony à frágil e sensual balada Fly, da orientação oriental de Triad Of Faith às influências prog de Regrets, Second To None é um disco equilibrado, diversificado e maduro, mantendo sempre a capacidade de surpreender num nível elevado.
Highlights: Purified, By My Hand, Whorehouse Symphony, Fly, Regrets
Para fãs de: Accept, Judas Priest, Queensrÿche, Pretty Maids

Tracklist:
01. On Burning Wings
02. Purified
03. By My Hand
04. Whorehouse Symphony
05. Regrets
06. Sleeping With Wolves
07. Adamah's Tribes
08. Triad Of Faith
09. Fly
10. Devil's Darling
11. It Remains Empty Forever

Line-up:
Stefan Zörner - vocais
Tobias Eurich - guitarras
Timo Pflüger - guitarras
Finn Janetzky - baixo
Björn-Philipp Hessemüller - bateria

sábado, 22 de abril de 2017

Notícias da semana

A banda de prog power metal brasileira Vandroya lança o seu novo álbum, Beyond The Human Mind, a 28 de abril pela Inner Wound Recordings. O segundo single retirado do disco, The Path To The Endless Fall já está disponível para streaming no Youtube. Com um maior pendente progressivo, embora não abandonando as suas caraterísticas principais, Beyond The Human Mind é um disco mais maduro e mostra a evolução técnica e artística da banda. The Path To The Endless Fall sucede ao lyricvideo do tema I’m Alive.



Daedalum é novo do novo trabalho dos italianos Revenience, um disco onde o progressivo, o sinfónico, o gótico e até o electrónico se cruzam. O álbum saiu em fevereiro pela Sliptrick Records e o vídeo do tema Shamble pode ser visto aqui.


Os Skeletoon lançaram o vídeo oficial ao vivo do tema Night Ain’t Over. O tema retirado do álbum Ticking Clock lançado pela Revalve Records, foi gravado em França, Suíça, Espanha e Itália durante a Triumvirate Tour com DGM, Trick Or Treat e Secret Sphere.


The Start é o novo vídeo dos Urban Tales e conta com as participações do rapper canadiano Loren Dayle e da vocalista Sofia Pires. Realizado pela mesma equipa que orquestrou o vídeo para o single The Name of Love, Tadeusz Januszewski, porém, foi mais longe na história desta curta-metragem, abordando de forma crua e misteriosa a violência doméstica. Este é o segundo single dos Urban Tales depois de um interregno de 5 anos.


A banda de metal melódico Wait Hell In Pain lançará a sua estreia em outubro pela Revalve Records. O álbum terá como título Wrong Desire e foi gravado, misturado e masterizado por Marco Mastrobuono and Matteo Gabbianelli nos Kick Recording Studio.




Os Pyramaze lançaram um vídeo épico para o tema A World Divided. Este tema faz parte do próximo e quinto disco da banda, o conceptual álbum Contigent, a ser lançado a 28 de abril pela Inner Wound Recordings.



Depois de uma pausa de três meses, os Cornerstone regressaram com um novo vídeo e single retirado de Reflections. Desta feita a escolha recaiu no tema Northern Light. Este vídeo foi filmado ao mesmo tempo do anterior, Last Night, foi produzido pela equipa The Cockpit e realizado por Christian Enzmueller.



O projeto de Bruno Sobral, Tsunamiz, acaba de apresentar o segundo single e vídeo retirado do novo álbum Whoreporate Censorshit que saiu no passado dia 20 de março e se encontra disponível para venda em todo digitalmente em todo o mundo.


Naturais de Valado dos Frades, Nazaré, os Icarus nasceram em 2016 fruto de uma amizade de longa data. Depois de terem participado noutros projetos, Filipe Miguel e Rui Vieira começaram com improvisos descomprometidos que rapidamente se tornaram músicas, assumindo-se rapidamente como um duo rock a cantar em português. Após alguns concertos na região oeste, lançaram independentemente ECO - o EP de estreia, que conta com edição física em CD e que teve a primeira apresentação ao vivo no passado dia 25 de março na Biblioteca de Instrução e Recreio, instituição da localidade de onde o duo é oriundo.


Slow, o terceiro disco de Minta & The Brook Trout e o primeiro com o selo da NorteSul, vai ter reedição em vinil, acompanhada por uma série de novidades. Dia 12 de maio, a rodela preta de Slow virá acompanhada pelas ilustrações originais de José Feitor, que neste formato ganham novo sentido. Para celebrar a reedição especial, a NorteSul disponibilizou dois temas inéditos de Minta & The Brook Trout, em formato digital, a partir de 17 de abril. Entretanto, eis In Spain, último single do disco.


Os The Melancholic Youth Of Jesus (mYoj) regressam aos palcos no dia 6 de maio no Sabotage Club, Lisboa, e dia 10 de maio no La Palma, Madrid. Será a estreia da nova formação que conta com Carlos Santos (Voz), Miguel Lopo (Guitarras), João Leitão (Baixo) e Pedro Almeida (Bateria). Em 2017 os mYoj vão estar mais ativos em termos de concertos, estando a trabalhar num novo álbum previsto para edição em 2018.



Os franceses Galderia assinaram pela Massacre Records para o lançamento do seu novo álbum Return Of The Cosmic Men em julho. A banda de power metal composta por Seb (vocais e guitarras), Tom (guitarra solo), Bob (baixo), J.C (bateria) e Julien (teclados) existe desde 2006 tendo lançado uma série de demos, um EP e um álbum.icias da semana

Flash-Review: The Borders Of Light (Raw Silk)

Álbum: The Borders Of Light
Artista:  Raw Silk         
Edição: Fame Of Poets Records   
Ano: 2017
Origem: Grécia
Género: AOR/Melodic Rock
Classificação: 4.8/6
Breve descrição: Em silêncio desde 1990, na altura com o álbum Silk Under The Skin (posteriormente reeditado em 2004), os Raw Silk regressam aos discos com uma fornada de rock melódico e AOR que segue as pisadas dos grandes executantes do género, mas raramente atinge níveis elevados de brilhantismo. Melodioso, com frequente recurso a harmonias vocais, muito centrado nos teclados, inteligente utilização da guitarra acústica e com uma sonoridade perfeitamente atualizada, o regresso dos gregos saúda-se, embora a The Borders Of Light lhe falte alguma homogeneidade e equilíbrio.
Highlights: The Road You’ve Taken, Losing My Mind, Nobody Fills The Loneliness, The Borders Of Light, Solitude Of Pain
Para fãs de: Survivor, Foreigner, Asia, Toto, FM, House Of Lords

Tracklist:
1 One Lifetime
2 Nobody Fills The Loneliness
3 Chimera
4 Night Time Angels
5 The Road Youve Taken
6 Losing My Mind
7 Distressed And Powerless
8 Out Of Reach
9 The Borders Of Light
10 Solitude Of Pain

Line-up:
Chris Dando – vocais, teclados
Daryl Gardner  - guitarra ritmo
Kostas Kyriakidis – bateria, teclados
James Marshall Stanley – guitarra solo
Paul Thompson  - baixo
James Barratt  - guitarras acústicas
Stephanie Fowler - vocais

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Entrevista: Left Sun

Um dos nomes mais interessantes surgidos no ano de 2016 pelo seu caráter inovador e capacidade arrojada de criar foram os Left Sun. O seu álbum homónimo, numa edição da Ethereal Sound Works, foi uma agradável surpresa. Flávio Silva, vocalista e guitarrista do projeto acedeu a falar com Via Nocturna a respeito do nascimento deste coletivo e deste álbum homónimo.
 
Olá Flávio, tudo bem? Quem são os Left Sun? O que vos motivou a erguerem este projeto?
Antes de mais agradecemos a oportunidade! Os Left Sun, nasceram da necessidade de criar música sem um compromisso obrigatório a um determinado estilo. Obviamente que as influências são audíveis, mas também não houve necessidade nenhuma de as esconder. Acima de tudo é uma sonoridade honesta, baseada em elementos rock prog vintage com uma pitada de modernismo que tanto apreciamos.

Qual é background musical dos elementos da banda?
A realidade é que já não somos nenhuns novatos nisto de bandas, creio que foi uma paixão que foi evoluindo e ficando desde a adolescência. Mas para não elaborar uma lista muito extensa, aqui ficam os últimos projetos/bandas de cada um dos elementos: Flávio Silva (voz) - Oblique Rain/Dark Radio; Artur Jorge (bateria) - Frame Pictures; Eduardo Oliveira (baixo) – Goah; Rui Salvador (guitarra) – Usoutros

Disponível já desde o final do ano passado está o vosso álbum homónimo de estreia. Como está a ser a reação ao mesmo?
Diria que bastante boa, para além do interesse crescente em território nacional, muitos discos, assim que nos chegaram em mãos "voaram" para os UK, Espanha e América do Sul.

Como o descreveriam nas vossas próprias palavras?
Utilizando uma expressão muito útil do Artur, descreveria o mesmo como um "Modern Vintage exercise". Quisemos proporcionar a quem o ouve a oportunidade de ouvir uma banda no seu estado mais orgânico, quase como se estivessem a ouvir um ensaio/concerto nosso, mas sem descurar alguns elementos de modernismo que hoje em dia estão facilmente ao alcance de cada um, isto, sabendo usá-los obviamente.

Acho muito interessante a forma como os Left Sun misturam diferentes sonoridades. Isso está relacionado com a personalidade de cada elemento?
Boa pergunta, creio que sim. Uma das premissas principais na produção do disco, era a de deixar que cada um dos elementos pudesse dar largas à sua criatividade dentro de uma determinada base já pré-existente. Creio que resultou e isso nota-se no resultado final.

Assim sendo, de que forma se processa a composição nos Left Sun? Como fazem para congregar todas essas influências?
Todos os projetos/bandas têm de começar de alguma forma. No nosso caso começou com um processo simples, eu fui criando algumas bases musicais que fui passando ao Artur para compor/gravar as respetivas baterias. Inicialmente foi assim pois apenas existíamos enquanto duo. Depois à medida que os outros elementos foram chegando ao projeto, puderam compor e acrescentar as suas respetivas ideias e partes.

Podes falar-nos um pouco dos convidados neste disco? Como se proporcionaram essas colaborações?
Muito simples, eu sou músico profissional na Orquestra do Norte, por conseguinte, arranjar a colaboração de grandes músicos é muito fácil! O oboista inglês Russell Tyler e que participa na Elysian Hope é um dos músicos mais expressivos que conheci, então como bom britânico e apreciador de bom vinho português, foi fácil de convencer a participar. A Rebecca Holsinger é uma trompista Mestre da Universidade do North Texas, que para além disso é minha esposa, portanto não custou muito a convencer a participar no Return Interlude.

Como estamos em termos de agenda no que diz respeito a apresentações ao vivo?
A disponibilidade em termos profissionais não é muita para o efeito, mas estamos a apontar baterias para fazer umas show cases e concertos (lá fora inclusive), a partir do Outono. Antes disso pretendemos ter um novo vídeoclip disponível para apreciação de todos.

Obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Left Sun não é nada mais nada menos, que o melhor grupo de pessoas com quem já trabalhei, quer em termos de dinâmica, como de criatividade e tenho a certeza que o interesse suscitado irá ser correspondido tanto nas apresentações ao vivo, como em futuros trabalhos discográficos, por falar nisso também já existe um plano... Mas fica para outra oportunidade... Obrigado. Rock On!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Playlist 20 de abril de 2017


Review: Down And Dirty (Dirty White Boyz)

Down And Dirty (Dirty White Boyz)
(2017, Escape Music)
(5.9/6)

Ex-membro dos Kiss Of The Gypsy e dos Kingdom Of Deadman, Tony Mitchell começou a preparar o seu quinto álbum em 2016 quando a Escape Music o contactou. O resto é história e da conjugação da veia criativa de Mitchell com o input técnico de vários músicos nasceram os Dirty White Boyz. Assim, com esta assinatura acaba por ser o primeiro álbum do coletivo, embora, como vimos não seja a estreia do seu principal mentor. E porque contactou a Escape Music este músico? Precisamente porque se previa a grande qualidade do conjunto de canções que estavam a ser preparadas para incluir em Down & Dirty. Uma variedade de temas que saltita entre o hard rock, o rock melódico e o AOR, com uma variedade de influências que vão desde os Bon Jovi a Dogs D’Amour com tudo o que se possa imaginar pelo meio. Hinos rockeiros, baladas emotivas, poderosos temas de hard rock, linhas melódicas muito agradáveis e intensas dinâmicas cruzam-se na criação de um disco memorável. Um disco onde temas como Hanging On A Heartache, Ride With Angels, Playing Dirty, Rise, All In The Name Of Rock ‘n’ Roll ou After The Rain, prometem fazer as delícias dos fãs deste género.

Tracklist:
1.      All She Wrote
2.      Dynamite
3.      Hanging On A Heartache
4.      Ride With Angels
5.      Playing Dirty
6.      Rise
7.      Waiting For This Feeling
8.      Sanctuary
9.      Hell To Pay
10.  All In The Name Of Rock N Roll
11.  After The Rain
12.  Bring It On

Line-up:
Tony Mitchell – vocais, guitarras
Paul Hume – guitarra solo
Neil Ogden – bateria
Nigel Bailey – baixo
Jamie Crees – guitarras

Internet:
Facebook   

Edição: Escape Music   

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Entrevista: Ape Shifter

Segundo o próprio Jeff Aug, o disco homónimo dos Ape Shifter foi trabalhado ao longo de toda a sua vida. O guitarrista americano que reside na Alemanha estreia-se, assim, com um novo projeto e um novo formato – em trio a fazer rock instrumental. Até porque a demanda por um vocalista e um guitarrista ritmo não resultou. Contingência ou não, Ape Shifter, o álbum, está aí e foi bem aceite. Ainda a cumprir as datas da sua tour pela Alemanha, o guitarrista falou com Via Nocturna.
 
Viva, Jeff! Podes contar-nos como surgem os Ape Shifter e com que objetivos criaste este projeto?
Depois de concluir as faixas para o álbum Is This Hyperreal? dos Atari Teenage Riot, tive a súbita vontade de pegar em grande parte do material no qual estava a trabalhar e arranjá-lo para guitarra, baixo e bateria. Uma vez que não tinha cantor, não tive outra possibilidade se não fazer os arranjos como instrumentais. Não ia ficar na sala de ensaios à espera que algum cantor mágico caísse do céu.

Então não foi tua intenção, desde o início, fazer um álbum totalmente instrumental? Foi uma contingência?
Se eu tivesse um cantor, já estaria a trabalhar com ele, mas não fui tão intencional em relação a fazer um álbum totalmente instrumental. Como agente, trabalho com muitos instrumentistas (Allan Holdsworth, Carl Verheyen, Ewan Dobson, Terry Bozzio, Alex Skolnick, Preston Reed, Soft Machine, etc ...), portanto nem pestanejei quando a decisão caiu para fazer isso instrumentalmente. Além disso, sou um grande fã dos Karma To Burn, e eles deram-me a inspiração para dizer, isto pode ser feito.

Sei que já estás na Alemanha há alguns anos. De que forma esse país te inspirou na criação de Ape Shifter?
Se eu nunca me tivesse mudado para a Alemanha, nunca teria começado uma agência de booking. Começar essa agência deu-me a oportunidade de trabalhar com grandes instrumentistas. Esses instrumentistas inspiraram-me a dizer, o rock instrumental pode ser feito.

Durante quanto tempo trabalhaste neste álbum?
Toda a minha vida.

Como decorreram os processos de composição e gravação?
Originalmente compus para bateria, baixo e duas guitarras. Depois de ensaiar com Kurty e Florian, e percebendo que não iria encontrar um guitarrista ritmo que me satisfizesse, decidi retrabalhar as peças de guitarra para que pudessem ser tocadas apenas com uma guitarra. Para a gravação, sabia antecipadamente que queria ter todos os músicos na mesma sala para tocar e gravar ao mesmo tempo (ou seja, sem punch-ins ou overdubs). Joe Walsh disse que a música gravada perdeu-se com as autocorreções, pro-tools, loops, etc... Eu quis criar uma gravação autêntica.

Até o final deste mês continuas em tournée pela Alemanha, tendo já passado pela Holanda. Como têm ido as coisas?
Temos explodido com todas as audiências e estamos prontos para continuar a rockar.

Ao longo da tua carreira, já lançaste álbuns de punk, rock e até mesmo de guitarra acústica. Agora um álbum instrumental elétrico. O que virá em seguida?
Já temos material suficiente para o próximo álbum dos Ape Shifter. Também estou a planear uma gravação em estúdio com meu duo de country rock acústico Dead Tuna (com a lenda alemã da harmónica Hans Penzoldt).

Falando desses álbuns, como estão as outras bandas, como Sorry About You Daughter e Banana Pell Buzz?
Viva, estão todas mortas, disfuncionais e caíram no abismo do rock ‘n’ roll, mas através das suas gravações, irão resistir ao teste do tempo.